
Por Gazeta Serra Pelada
A crise institucional que há anos afeta a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) ganhou mais um capítulo que vem causando preocupação entre cooperados e lideranças da região.
Mesmo após decisões judiciais que reconheceram a legitimidade da presidente Deuzita Rodrigues da Cruz Viana para conduzir a cooperativa e convocar o processo eleitoral, o foco do debate acabou sendo deslocado para audiências de conciliação realizadas no âmbito do CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania).
Para muitos cooperados, a medida levanta uma preocupação central: como buscar uma nova negociação sobre temas que já teriam sido apreciados pelo próprio Poder Judiciário?
Segundo documentos e decisões já proferidas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, a sentença de primeiro grau que havia afastado Deuzita da presidência foi anulada, sendo reconhecida sua condição de presidente em exercício da COOMIGASP, com poderes para convocar e presidir a Assembleia Geral destinada à eleição da nova Diretoria e do Conselho Fiscal.
Além disso, a decisão também determinou a reintegração da presidente à sede da cooperativa, situação que, segundo relatos, ainda não teria sido efetivamente cumprida até o presente momento.
Conciliação ou Cumprimento das Decisões?
A recente atuação do CEJUSC passou a ser alvo de questionamentos porque, na avaliação de diversos cooperados, a prioridade deveria ser garantir o cumprimento das determinações judiciais já existentes.
O entendimento defendido por esse grupo é que a conciliação é um importante instrumento de pacificação social, mas não pode servir para substituir a execução de decisões judiciais válidas e eficazes.
Na prática, o temor é que a remessa do conflito para mediação produza um efeito indesejado: prolongar ainda mais uma disputa que já se arrasta há anos e impedir a normalização da vida institucional da cooperativa.
Eleições Já Estão Marcadas
Outro fator que aumenta a tensão é a proximidade das eleições da COOMIGASP.
A diretoria convocou a Assembleia Geral Eleitoral para os dias 13 e 14 de junho de 2026, quando os cooperados deverão escolher os integrantes do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.
Para lideranças ligadas ao processo eleitoral, a manutenção de um ambiente de insegurança jurídica pode gerar novos questionamentos e até tentativas de deslegitimar o resultado das urnas.
Há quem defenda que, antes de qualquer nova rodada de negociações, seja assegurado o cumprimento integral das decisões já proferidas pelo Tribunal, garantindo igualdade de condições para todos os participantes do pleito.
Serra Pelada Aguarda Uma Solução Definitiva
Enquanto o impasse persiste, milhares de cooperados acompanham com expectativa os desdobramentos do caso.
Após décadas de dificuldades enfrentadas pelos garimpeiros de Serra Pelada, muitos defendem que a cooperativa precisa recuperar sua estabilidade administrativa para concentrar esforços no que realmente interessa à categoria: a retomada das atividades minerárias, a geração de emprego e renda e a valorização da história de um dos maiores garimpos do mundo.
Para esses cooperados, o momento exige segurança jurídica, respeito às decisões judiciais e a realização de eleições transparentes, capazes de devolver à COOMIGASP a tranquilidade necessária para construir seu futuro.
Gazeta Serra Pelada – Informação, Justiça e Defesa dos Garimpeiros.
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